E eu fico dizendo repetidamente bem baixinho pro meu travesseiro 'não quero te deixar, não quero te deixar, não quero te deixar' E me debato na cama e meus braços dão a volta em algo até que eu encontro minhas costelas e percebo que abracei o ar, mas procurei por você, pelo seu corpo e suas costas que pudesse usar meus braços pra apertar o seu ser, como alguém que pra proteger outro alguém do vento, entra na frente da rajada de ar frio e fica ali tentando fazer alguém se aquecer.... meus braços pedem o seu que em algum lugar do seu quarto se perdem no travesseiro. E minhas mãos apertão a cama, o colchão, o lençou que vai se enrolando conforme eu vou me mexendo de um lado para o outro frenéticamente procurando algo que não está na minha cama e nem em nenhum outro lugar da casa. Eu continuo dizendo pra mim mesmo, agora como um mantra 'não não não é justo' meu travesseiro molhado prova que nada disso é justo, não pode ser, de tão salgado que é, eu sei que está errado. Enquanto eu tento respirar pela boca eu faço um som quase que sem nenhum volume, é um grito, mas eu não ouço nada. Faz tempo tempo, que eu não sei mais. E você vai me perguntando e me falando de coisas perecíveis, eu vou me curvando em cima de mim mesma e me sentindo uma pessoa que não é digna de nada. Quando? Quando. EU NÃO SEI. Você foi tudo o que eu sempre quis pra mim e agora eu tenho que te deixar ir. Eunãoquero!
Eu não vou conseguir. E quando o certo é a coisa errada a se fazer?.
Eu mal consigo abrir meu olho, respirar pelo nariz, falar.
EU NÃO SEEEEEEI. EU NÃO MARQUEI NO MEU CALENDARIO O DIA QUE A GENTE VAI TER AQUELA CONVERSA. MEU DEUS. EU NÃO SOU TÃO RIDICULA ASSIM.
EU NUNCA SOUBE.
tudo dói. minha cabeça dói tanto que eu não consigo abrir os olhos.
dói tanto. tanto.
ah. não tenho mais forças pra continuar.
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