segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

dezoito. e um monte de lágrimas.

E lá se vai mais uma data. Mais um numero no meu calendário. Mais um ano de vida. Fico tensa ao pensar que todos estão passando com essa facilidade, assim correndo pelos dias. Eu fiz meus dezoito anos e só eu soube como foi acordar naquela manhã. Acordei sorrindo só pelo simples fato de eu ter acordado e fiquei deitada na cama, no mesmo quarto, olhando pro mesmo teto, com o mesmo ventilador pairando e fazendo barulho sobre minha cabeça e vi tudo assustadoramente igual ao ano passado e o ano passado dele e assim por diante. Senti sim, uma pequena pontada de um sentimento que ainda não sei descrever quando eu percebi que a cada dia mais, a cada hora que passava, o meu dia do ano se transformava cada dia mais meu e menos importante para as pessoas. "É só mais um ano". Quando eu era pequena tinha um outro significado fazer aniversário. Não sei se foi por falta de pessoas que me interessassem por perto, para dividir minha alegria de ter sobrevivido mais um ano, de ter cresci alguns centímetros, de ter aprendido outras coisas, mas algo me fez levantar da cama e parar. Simplesmente me deixar levar pelo dia-dia, pela rotina, ao menos me coloquei em um papel especial que sempre me colocava no ultimo dia do mês de janeiro. Acordei tarde como em qualquer outro dia, comi um almoço que me deixou satisfeita, assisti TV como sempre, fui ver meus amigos que pela primeira vez não permaneceram comigo. Alguma coisa estava completamente errada e eu não me incomodei de achar o que era. Essa comodidade que me cerca me dá medo. No fim das contas, eu percebi que ninguém parou por ser o meu aniversário, meus amigos foram fazer o que eles tinham que fazer, minha decepção com aquela outra amiga só crescia por pensar que algum tempo atrás só ela e eu poderiamos fazer uma festa de parar metade da cidade, hoje foi apenas tapinhas nas costas e um 'Té amanhã'. Me incomoda sim, mas pensar sobre o assunto é cansativo demais, tentei entende-lá desde o dia que eu a vi pela primeira vez e até hoje às vezes nos tratamos como duas estranhas. Um outro estava nos seus deveres diários, trabalhando, fazendo o que um homem crescido faz. O resta das pessoas que me importam estavam tão longe, mas tão longe que me dói só de pensar. E tinha aquela, aquela amiga que estava tão longe quanto minha namorada e eu simplesmente não quis pensar se ela lembraria, se ela telefonaria, se ela se incomodaria de me desejar alguma coisa, pelo fato de saber que aquela conversa que eventualmente teremos vai ser tão util como conversar com um porta, só de pensar em explicar o meu lado da situação eu já fico exausta e esgotada. Por algum motivo, passei o meu dia emburrada num canto, lendo um livro sobre uma história de amor triste que obviamente o fim vai ser daqueles que todas as pessoas romanticamente-corretas vão achar injusto, como se a vida não fosse injusta. Fiquei irritada por não sentir o que eu sentia datas passadas, fiquei irritada por não me sentir diferente, fiquei brava por me mandarem fazer coisas que eu sempre odeie fazer e achava que seria poupada por hoje ser 'hoje'. Hoje foi um dia tão normal, que me irritou como todos os outros. Fazer dezoito e comemora-lo ao lado dos seus pais num churrasco entre os amigos DELES não me parece condizente com a data. Na verdade eu queria estar muito longe de casa, muito longe de qualquer lugar que pareça familiar. Eu queria estar num bar qualquer numa cidade qualquer sorrindo sem motivo aparente. Ou estar ao relento com quatro amigos-para-todas-as-horas só para sentir aquela sensação de não ter que voltar pra casa. Ou até mesmo ficar sozinha, fazendo as coisas que eu gosto, sem ter que ouvir nada além dos meus pensamentos, já seria bom. Tudo menos um dia ordinário. E dentro da madrugada pensando que "é estou ficando velha" percebo que... é verdade. Mas isso é assunto pra outro post.
Uma coisa que me deixou extremamente feliz hoje foi estar namorando, acordar sabendo que alguém, além de eu mesmo, contou as horas pra que esse dia chegasse, não tem como descrever. Sinto o olho encher de lágrimas quando penso que alguém ficou tão feliz quanto eu só pelo simples fato de hoje ser hoje. E não há nada que eu possa escrever que possa descrever quão feliz eu sou por ter alguém. Ter ela. Ser dela. Nada que a faça entender o quão feliz ela me faz.
Do fim eu só guardo um monte de lágrimas, já no fim da noite, choro assim sem perceber, sem querer, por não ter sido como eu sempre quis. Numa conformação quase estranha pra mim, apenas pensar que "É, tudo bem". Acho que é isso que você quando sente que não é mais o que era antes. Será que é disso que as pessoas falavam quando elas diziam que quando você fizer dezoito os anos passam correndo?. Ou que depois dos dezoito é que você realmente aprender a ser gente grande?. Não sei, mas eu vou descobrir tão rápido que não vou nem ter tempo de contar aqui. Mas agora já foi, nem é mais o meu aniversário e agora eu durmo sabendo que quando eu acordar amanhã de manhã tudo vai ter mudado, talvez não pra você, mas tudo pra mim.
Meu ano começou.

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