* Pra falar a verdade não é a sexta feira que todos sonhão que me enterresa; Para mim, sextas não passam de um anuncio à três dias de tédio, o qual não faço nada, além de esperar contatos ficarem online e assistir qualquer serie de televisão. Meu dia preferido é a terça, é uma jornada de 12h fora de casa que eu faço sorrindo, é o único dia que eu paro por alguns segundos na frente do espelho pra ver como estou e me preocupo com a combinação tenis-calça-blusa. É que são dias especiais, dia que eu saiu dessa rota maldita casa-ponto de onibus- escola - ponto de onibus. Quase um ciclo vicioso. Dias que eu vejo pessoas que não vejo todos os dias, que me diverto, mais do que qualquer um, que organizo todo um grupo pra ir almoçar e garanto que todos sorriem, por todo o tempo; esses dias me lembram ribas e isso me faz bem.
* É fácil a fazer sorrir. Como se fosse alguma caracteristica minha, algo que eu carrego não por obrigação e sim por apenas estar em mim. Não sei se seu sorriso representa felicidade, mas espero a fazer feliz. E só eu sei como seu sorriso fica bonito quando visto de perto, quando sorri junto a minha boca. O simples toque, que se vindo dela é extremamente bom e quente; a vontade boba de não querer soltar a sua cintura no quase-fim de um abraço; a dor pequena, no peito, em ir me distanciando; a falta de ar, que é segurar-la perto e ouvir sua respiração se confundindo com a minha. E se tu um dia perguntar o que eu gosto mais, diria que 'era estar com voce nos braços'. Pois não ha nada melhor, do que te ter em mãos e dizer baixinho 'minha'.
* o problema de fazer essas coisas no meio da semana, é que tira minha atenção, pro resto dos dias.
* pensar é bom. Tu me vem a mente quando nem mesmo imagino e se coloca de fronte minhas lembranças, me puxa pra dentro dum passado tão bom, tão real, tão longe. Intristesso com a longura que é o caminho de volta para minha cama, pois lá naquelas cadeiras amontuadas, professores berrando, nosso mundo, era o mais real possivel. Fique perto, voce é minha irmã!
* O telefone tocou, era meu pai; Aquele tom na voz dele me tira todos resquissios de felicidade; Apenas não sei o porque de tanto peso naquela voz. Antes era bom, era alegre e me fazia se sentir em casa; hoje é quase uma cobrança, um tom baixo, diria castigador se não conheçesse os tons de voz daquele homem. Quero acreditar que foi apenas mais um dia cansativo, e todo aquele desanimo na voz, era alguma fadiga puxando pro lado da preguiça; Dói mesmo é ouvir uma mulher do outro lado da linha falando 'não não, depois eu falo, diga que mandei um beijo' com o mesmo peso no tom. Quero acreditar tambem que é por medo de chorar que ela não me atende, aos telefonemas. Como minha irmã, que não consegue completar uma palavra sem que trave a garganta e o choro venha a tona, dela eu perdoo, pois dói em mim tambem ouvir seu rosto ficar molhado; mas todo esse peso via telefone, tira alguma coisa dos meus sonhos e coloca no meu ombro; como uma certa tristesa que é para meu pai, me ver longe ou me ter do jeito que sou, ou ainda, não mais acreditando em mim, fazendo com que nem eu acredite; me fazer querer parar de escrever e ir ali, arrumar as malas e falar 'ok, eu não consegui, posso voltar?'; Tudo isso, pra mim se resume em medo; meu medo de desapontar o único homem que eu realmente amei na vida.
*dói em mim. parei de escrever.
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