* só de estar por algumas horas aqui, já sinto minha paz. É tudo tão mais meu, minhas horas, minha cama, minha bagunça que eu demorei tanto tempo pra deixar arrumada o suficiente. Tudo, é meu. Minha paz! Até que enfim.
* Volta logo, vem logo. Tempo, passa.
* Essa vontade de nada, sabe? Essa sensação de tudo já estar feito, que o mundo não vai mais mudar, que nada vai se alterar então vamos deitar e sentir o vento bater nas nossas costas como se fosse nos levar pra algum lugar. Nada que eu diga parece que vai mudar alguma coisa, entrei numa corrente que só me leva, e eu já desisti de nadar. No fim todo mundo morre na praia, alguns por falta de ar, outros por falta de amor, eu morro por saudade. Saudade que vem me afogando faz tanto tempo, não me lembro de nenhum único dia em que eu acordei sem essa maldita dor no peito, que me faz pensar: dá pra viver assim?. Dá? Me responde você. Saudade é como água pra mim. É necessário, percebe? Sentir saudade é bom, dá valor aos sentimentos que pessoas jogam fora, sentir saudade em doses homeopáticas é ótimo, mas não assim. Eu como saudade no café da manhã, eu almoço saudade, eu faço lanchinhos da tarde com saudades na manteiga, eu janto saudade. É como se essa corrente tentasse me matar em cada curva desse rio, em cada poço escondido por de trás dessa calmaria. Quando eu acho que estou flutuando bem, caiu em túneis subterrâneos totalmente imersos e eu perco o ar, as paredes vão ficando cada vez menores e a fenda de luz vai desaparecendo conforme a água vai ficando escura, eu vou me afogar, eu preciso de ar, preciso! Pronto, meus pulmões já doem o suficiente, minhas mãos não agarram mais nada e eu não sinto mais minhas pernas, pronto. E assim vai mais uma noite onde tudo o que eu vejo é o escuro sem frestas de luz. É a falta que de tão grande parece palpável. É a saudade que me envolveu até os alvéolos pulmonares e agora, vai saindo de mim, me roubando a vontade de continuar nadando, me afogando, flutuando nesse rio que só quer a minha morte.
* É, lembra daquela vez que eu quase morri atravessando uma represa?. É, eu peguei um certo medo de água.
* Queria que fosse mais fácil pra você, juro. Não gosto de pensar que você está pensando o que eu pensei a algum tempo atrás, dói né? Machuca, não machuca?. Eu disse que você está se alimentando de coisas que vão se alimentar de cada pedaço seu, daqui algumas semanas. Eu disse que você precisa prender e sufocar alguns sentimentos até que eles cansem de tentar te empurrarem de um precipício que você não vai subir assim, tão rápido. Você pode pensar que vai ser fácil, você pode até pensar que vai conseguir, e eu espero que pra você seja, só digo que se eu fosse você, eu pensaria em como certas coisas não valem tanto a pena assim. Eu sei de cada palavra, frase, texto que você vai me falar, eu sei, sei também que você vai pensar que pode e que quando não conseguir mais vai sair disso. Deixa eu te contar uma coisa, não é assim que funciona. Quando você acordar e decidir que não aguenta mais, tudo aquilo que você alimentou, vai começar a te mostrar que a palavra 'esquecer', foi esquecida.
Fica bem!
* <3
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