Fazendo o caminho de volta eu estou voltando pra casa. Fazendo o balanço do feriado eu estou dentro de um carro em movimento que está me levando pra casa. Foram quase 500 kilometros e menos de 5 horas e eu ja quero fazer todo o caminho de volta, achar o retorno. Fico pensando o que meus pais pensariam se eu falasse 'não, não, volta'. Não creio que eles entenderiam. Não creio que eu entederia.
E no fim das contas foi bem melhor do que eu jamais podia ter imaginado, não houve nenhuma agresão física, de nenhuma parte, minha família ainda está completamente inteira, e meu coração... meu coração está totalmente, fracionado. Se o Zonta pudesse resolver isso eu pediria sua ajuda, mas creio que ele não tenha me ensinado como terminar esse problema, nem ele, nem nenhum professor, nem minha mãe, não me lembro de ninguém me falando como seria terminar isso,e eu me vejo sem ajuda.
Se por acaso deixar as coisas como estão é a opção mais viável, é obvio que eu não vou fazer isso, alguém já me viu fazer alguma coisa que desse certo? alguma decisão que eu tomei e funcionou? não, isso não existe. Eu sou a Karen, eu sou a que faz sempre alguma coisa, mesmo quando não precisa fazer nada, eu sou aquela que fode com tudo e que entende tudo errado e que ainda acha que sabe escrever.
Eu vim olhando pela janela e tudo que eu consegui pensar era em como seguir. Por que SEGUIR já é algo decidido, mas o 'como' ainda está tão escondido que às vezes eu acho que não vou acha-lo esse mes, esse ano. E tentando te imaginar comigo, eu estava imaginando um futuro próximo e me perguntando se valia a pena, claro que vela a pena, mas e pra você, que tem toda uma vida aí e tudo aquilo que alguém precisa pra ser feliz, e você que não merece morrer de saudade assim, como eu morro. Será mesmo... será que eu conseguiria seguir em frente depois de tanto tempo?!
Conversei, falei, falei tudo que queria falar, mostrei coisas que jurei jamais mostrar, e eu sei que você entendeu, eu sei que você sabe agora e isso me acalmou, me deu uma paz fora do normal, por saber que está tudo tão claro... algo me libertou, como se agora eu pudesse seguir em frente em paz, com as mãos limpas, com a garganta seca, quase uma pagina em branco.
E o que se faz com uma página em branco? Depois de ter quase um outdoor cheio de rabiscos e manchas de pingos de chuva, agora que tenho algo limpo e branco, é melhor mesmo voltar e escrever como se não houvesse amanhã, nessa página? Ou eu paro um pouco e contemplo um pouco essa paz que o papel virgem me traz?. E se eu começar e escrever linha por linha, bem devagar, com um reguá pra não perder a linha, pra não virar uma bagunça como era antigamente, será que assim melhora? Ou eu volto pros meus rabiscos de quase dois anos e me acho por lá mesmo e abro um espaço pra outras pessoas rabiscarem também?! Não, acho que já passou da hora da minha página ficar branca denovo. Todas as coisas que eu escrevia e riscava pra que não lessem, eu já disse em voz alta, agora é quase uma obrigação guardar essas minhas histórias e conjulga-las no passado, já passou, que venha algo novo, branco... alguém me empresta um lápiz? !
a vantagem de escrever de lápiz é que ele se apaga.
a desvantagem de escrever de lápiz é que ele se deixa a apagar.
já me viu fazer alguma coisa, com um lápiz? (n)
alguém me empresta uma caneta permanente?!
agora sim.
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